Meije, os Alpes mais selvagens

Meije, os Alpes mais selvagens

Se você olhar a previsão do tempo e você vê que há um anticiclone dos Alpes, se você olhar a sua agenda e vê que empurrando e puxando de lá você pode fazer um buraco, o Que você vai fazer?…é que me obrigam. Claaaaaaaaaaaro, o normal, debandar. Viagem econômica, porque você sabe que eu sempre digo que se escala os Alpes, em uma expedição ao Himalaia……..e muuuuucho mais barato, onde você vai parar. Três no carro, 7 horas de conversa sobre económica, política e essas coisas que Jaume sabe tão bem e as que nos ilumina a todos, que falta nos faz, e pousou em uma Gîte de Grave. Objetivo, a Meije, por via Biju-Duval, uma via dos anos 70. A Meije é uma das montanhas mais míticas dos Alpes, está situada no maciço de Ecrins e deve esta fama por sua inacessibilidade, é, provavelmente, uma área mais selvagem dos Alpes, e sem nenhuma dúvida bem mais tranquila que o maciço da MontBlanc, já que aqui não há teleféricos ou trens de acesso para as paredes.

Enquanto estávamos no parque de estacionamento preparando material, um guia francês que também subia com 5 comentários para esqui do glaciar no dia seguinte, diz-nos que o refúgio está aberto, dois dias antes do previsto, notícia bestial, assim deixamos toda a comida; menos cacharros que carregar os 1800 m de desnível até o refúgio del Aguila pelo glaciar do Tabuchet. Um personagem simpático que até chamou e nos reservou lugar e meia pensão….assim você pode sim ir para a montanha. O refúgio é uma caixinha de madeira com 18 lugares, construída em 1910, é uma jóia, que tentaram destruir, há alguns anos, mas a oposição de um grande grupo de alpinistas, que consideram esta cabana um refúgio histórico, conseguiu evitá-lo. De acordo, não é um refúgio moderno, grande, etc, etc, mas mais não faz falta, pelo amor de Deus, que estamos na montanha, quem quiser chuveiros, aquecimento, quartos individuais e todas essas bobagens de que às vezes ouço reclamar com a gente ao monte, que se vá para um hotel na costa brava. Um refúgio para refugiar-se. Em fim, que o lugar e o pateo vale a pena.

Cedo fomos para nossa via, nada fácil de chegar, primeiro cruzamento com esquis, depois descida de um canal (que antes se abaixava esquiando, mas agora há pouca neve), depois mais travessia, em seguida, procure por onde passar a rimaia e, por fim, começamos a escalar. E o vento soprando, ai minha nossa , que isso não estava nos planos. Nos metemos no caminho, línguas de gelo velho, delicadas, lentas, fazíamos algo de montagem em os pontos que o permitia o estado do gelo, mas no geral, tudo era laborioso……..e eu que vou entrar em hipotermia. Cafiaspirina ao canto, biscoitos de chocolate e ficar parado o mínimo nas reuniões. Vamos mais lento do que o previsto, hoje não chegamos ao carro. Quando chegamos à borda final, fazer a travessia com os esquis nas costas que funcionam como uma vela, acho que é um pouco profundo, em alguma ocasiões gateo…. E não vou alcoholiza, é para não sair voando. E no fim, o de sempre, busca os rapeles, enquanto tirito muito, muito. Perca-se um pouco, deixa uma fita, salta a rimaia final, e esquis pa baixo para o refúgio. As rachaduras são grandes e pequenas, mas há muitas, com os esquis saímos rápidos e seguros do lugar. Chegamos logo ao escurecer ao refúgio, onde a guardesa, mulheres amabilísima, já nos esperava, porque se seu pai, sentindo que passaria outra noite. Nos plantou um copo de vinho e uns amendoins, e após o jantar, deixou-nos um bolo de chocolate recém-feita, e nos disse, cortaros o pedaço que quiser……bom rolo.

No dia seguinte, ainda restava a descida, que fizemos por outro glaciar, o de l’homme. Com cuidadín, rachaduras aqui, rachaduras lá, neve pastosa, mochila pesada e pernas cansadas.

Três coisas em claro tirei nessa viagem: Uma lição de economia e política de quase 5 horas. Que as vias dos anos 70 já não são o que eram, em poucos anos, muitas delas são quase inacessíveis. E, que eu tenho que abrigar mais.

16 Araceli Segarra La MeijeAigle_ancienO refúgio em 1920 O refúgio em 1920 O refúgio em 2012 O refúgio em 2012
15 Araceli Segarra La Meije10 Araceli Segarra La Meijeladeando a grande rimaia de entrada que faz parte da grande rimaia de entrada 14 Araceli Segarra La Meije
13 Araceli Segarra La Meije08 Araceli Segarra La Meije07 Araceli Segarra La Meije06 Araceli Segarra La Meije
Meije, os Alpes mais selvagens Meije, os Alpes mais selvagens 05 Araceli Segarra La Meije04 Araceli Segarra La MeijeRapelando a rimaia do Rapelando a rimaia do “doit de Dieu”
02 Araceli Segarra La Meijeesquiando de retorno, o esquiando de retorno, o “glaciar de l’homme”

Leave a Reply