O que me preocupa, as provas desportivas populares

Abaixo você pode ler o comentário com o que o nosso editor Fran Cara abre o Sport Life de junho. Para saber mais sobre os conteúdos dos artigos da revista deste mês entra no http://www.sportlife.es/sumarios/articulo/sumario-sport-life-182-junio-2014

Estou participando em eventos esportivos mais de 30 anos e, nos últimos tempos, preocupa-me como está a evoluir a nossa atitude perante estas provas desportivas populares. Eu sou um firme defensor delas, oferecem-nos a oportunidade de marcar-nos desafios, de poder de superar-nos a nós mesmos, nos permitem conhecer pessoas fantásticas com quem partilhamos a nossa paixão e são um extra de motivação para sair para treinar a cada dia e, assim, estar em forma e saudáveis física e mentalmente.
Mas como dizia há coisas que me preocupam. Por um lado, o “profissionalismo”. Há cada vez mais gente que perde o norte e se treina e se cuida mais que os profissionais e acabam pagando um alto preço a nível familiar. Outro problema é o consumismo desportivo. Parece que sem o último modelo de bicicleta, de macaco de triatlo ou de calçado de trail running não se pode render em competições.
Outro tema que me preocupa são as pressas para cobrir as etapas como um atleta popular. Muita gente dá o salto de iniciante a maratona, o Ironman ou um ultrafondo na montanha, sem quase nenhuma experiência para enfrentar esse grande desafio e, sobretudo, sem que seu corpo e sua mente estão preparados para tão grandes desafios.
Também me chama a atenção de que estamos perdendo a perspectiva do que realmente importante em uma competição popular. Segurança, postos de refresco, serviço médico, marcação do percurso, cronometragem…para que isso esteja bem, é por isso que pagamos as inscrições não por um saco de presentes, ou por uma t-shirt, seja técnica, de algodão ou de papel (um bom exemplo é a maratona de Berlim, junto a Londres o melhor da Europa, que não tenham nada; o que quer uma t-shirt é a compra na loja e assim se leva a que quiser). É como se alguém te pergunta o que você tenha passado no cinema e em vez de falar de filme só responde sobre o sal que tinham pipoca.
Eu vou dizer, e com razão, em muitos casos, que as inscrições são caras; mas aqui temos fácil. Avaliar o preço que nos pedem com essa prova nos oferece em qualidade de organização e como experiência esportiva e decidir se vamos ou não. O que nunca me pareceu admissível é participar sem estar inscrito, sem seguro, e alterando as previsões de capacidade e abastecimento, dos organizadores.
Por Fran Cara
@franchicosport

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